terça-feira, 20 de março de 2018

Você é músico? Tenha um hobby!

A música para muitos é um hobby, e de fato isso é bom. Traz uma diversão, desestressa, desenvolve partes específicas do cérebro que só com o
estudo musical é possível e em  alguns casos, pode até render uma graninha extra. Agora, nós músicos profissionais  muitas vezes não temos um hobby e
isso acaba sendo ruim.

    É importante termos outra atividade na vida que não tenha aquela pressão de sucesso e dar certo o tempo todo. Isso traz uma leveza e um
relaxamento necessário. Eu por exemplo, faço uso do futebol, gosto muito de assistir jogos, conversar sobre, discutir, debater e até escrevo em um
blog sobre o assunto. Sou apaixonado por futebol, mas não faço uso dele como uma profissão. Se algum dia meu blog por exemplo tiver algum retorno
financeiro, ótimo, estou no lucro. mas não crio nem um tipo de expectativa.

    Mais recentemente, acabei encontrando o piano como um instrumento necessário para o meu crescimento musical. No entanto, não encaro com a mesma
cobrança do que a bateria, sei que é  importante para me dar mais apoio nas minhas composições e desenvolver lacunas musicais deixadas pela bateria,
porém, não crio grandes metas e coloco pressão em cima de mim. Todo resultado e desenvolvimento que tenho no instrumento, acaba sendo lucro e fico
contente.

    Procure seu hobby, volte a praticar algum esporte ou o que quer que seja que você goste. Até dentro da música, escolha outro instrumento que você
tenha interesse e encare com mais naturalidade sem colocar metas extraordinárias e pressões desnecessárias. Você vai se surpreender e ficar feliz!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Propriedades do Som: Timbre



Timbre é "A qualidade ou coloração dos sons" (BENNET, p.7).
"Termo que descreve a qualidade ou o 'colorido' de um som; um clarinete e um oboé emitindo a mesma nota estarão produzindo diferentes 'timbres'" (SADIE, p. 947).
A ciência que estuda o som chama-se Acústica, que é parte da Física.

Como vimos acima, é o timbre  que diferencia um instrumento de outro. E não só isso, o timbre também muda de um  mesmo instrumento para outro, tanto pela diferenciação de fabricação (material e marca por exemplo), como nos casos de violão de corda de aço e violão com cordas de náilon, instrumentos de percussão como a bateria que, além das madeiras e aros, as combinações e tipos de pele vão proporcionar uma significativa diferenciação do timbre.

O timbre muitas vezes é tratado como a "cor" do som.


A bateria é um instrumento que surgiu a partir da organização de tambores e pratos em um único instrumento. E por causa dessa diversidade,
uma única bateria pode ter inúmeros timbres. Uma caixa tem  o timbre diferente de um tom que é diferente de um prato e assim por diante. Também há variações de timbre em pratos ou baterias da mesma série, que podem ser muito parecidos e próximos, mas não terão exatamente o mesmo timbre.

Existem inúmeros fatores que levam a bateria a ter essa diversidade de timbres. A combinação de peles, o objeto utilizado para tocar o instrumento, os lugares e as intensidades que os tambores ou pratos recebem os golpes, o tipo e a espessura dos materiais do tambor e do prato, etc.

O timbre na bateria é algo muito pessoal. Se pegarmos uma única bateria e pedirmos para dois bateristas tocarem e afinarem de acordo com os seus gostos, a mesma bateria vai ter timbres diferentes. Tanto pela maneira de tocar, como pela maneira de afinar.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Fotos

Fala, pessoal!!! Aí vão algumas fotos dos últimos eventos!!!

 Ensaio com a banda Felipe Teixeira


Show com a banda Heróis de Sua Saga - São Francisco


Quem quiser me seguir no instagram, este é meu perfil:
 https://www.instagram.com/thiagoarthurbaterista/

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Propriedades do Som e Bateria: Duração

Duração é "extensão. É dada pelo tempo de emissão das vibrações" (MED, 1996, p.12).

"A duração do som é a maior ou a menor continuidade de um som. A relação entre durações de sons define o ritmo" (MED, 1996, p.20).

Na bateria, os pratos e o chimbal acabam tendo um pouco mais de recurso de duração do som, mas só em alguns casos e tocados de maneiras bem específicas. Na caixa também existe a possibilidade de uma maior duração quando utilizamos o rudimento single bounce roll (mais conhecido no Brasil por rufo), em que a continuidade do som é conseguida por vários ataques e pressão da baqueta na pele.

Fora isso, a bateria produz essencialmente ritmo. E o ritmo é feito pela combinação de diferentes acentuações e durações. Embora seja um instrumento que produza sons de duração curta, mentalizar as diferentes figuras para o estudo do tempo e precisão dos ataques é algo que funciona muito bem. 
Na música, a duração é dada pelas figuras musicais. São elas:


Da esquerda para a direita: semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa.
Da esquerda para a direita, cada uma delas tem a duração de metade da anterior.
No groove abaixo, por exemplo, o bumbo e a caixa são executados a cada duas colcheias, por isso estão escritos como semínimas, mesmo durando menos que uma semínima, pela própria natureza do instrumento. 


Encontramos também este mesmo groove com o bumbo e a caixa escritos como colcheias. 
Enfim, mesmo que não esteja lendo partitura, pensar nas figuras auxilia na precisão da perfomance, facilita o estudo e a comunicação entre os membros da banda. #Ficadica.


Referência
MED, Bohumil. Teoria da Música. 4 ed. Brasília: Musimed, 1996.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Propriedades do Som e Bateria: Intensidade

"Volume ou intensidade: em que medida se revelam os sons fortes ou fracos" (BENNET, 1990, p.7).
A intensidade é dada pela amplitude das vibrações. Quanto maior for a amplitude da onda sonora, mais forte é o som.

De acordo com o Dicionário Michaelis, volume é a "massa de som produzido por uma voz ou por instrumento" e, intensidade, "o grau de força com que o som se produz".


Fones De Ouvido, Audiophile, Ouvir, Músicas, Som


A bateria é um instrumento muito interessante para se falar de intensidade. Qualquer baterista em algum momento da vida já escutou alguém reclamando do barulho, o que é totalmente compreensível porque na maioria das vezes bateristas acabam tocando forte demais. É claro que isso não é correto, não é a força que faz um baterista ser bom, aliás, a técnica  é estudada para evitar o excesso de força e aproveitar os rebotes e as maneiras corretas de se tirar o som necessário do instrumento sem o abuso da força.


Dinâmica

Na música, as variações de intensidade são chamadas de dinâmica. Cada estilo musical pede uma dinâmica diferente e cada lugar também. Não se toca rock como samba, assim como não se toca rock em um barzinho pequeno como em uma casa de show. É necessário ter noção do trabalho a ser desenvolvido e do local da apresentação para saber como se comportar. mas além de tudo isso, é muito importante estudar em dinâmicas diferentes, não é muito fácil tocar rápido em um volume muito fraco, por exemplo. E só o estudo a longo prazo pode trazer esse resultado de trabalhar bem as dinâmicas.

Existem variadas indicações de dinâmica na música, como o p (fraco), mp (meio piano), mf (meio forte), f (forte), ff (fortíssimo).

Referência
BENNET, Roy. Elementos Básicos da Música. Cadernos de Música da Universidade de Cambridge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar: 1990.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Propriedades do Som e Bateria: Altura

Pra começar, vamos ver algumas definições de altura:

"Em que medida se revelam os sons graves ou agudos" (BENNET, 1990, p.7).
"Determinada pela frequência das vibrações, isto é, da sua velocidade. Quanto maior for a velocidade da vibração, mais agudo será o som" (MED, 1996, p.12).
"É determinada por aquilo que o ouvido capta como sendo a frequência de onda mais fundamental em um som" (SADIE, 1994, p.25).

No vocabulário comum se diz que um som agudo é fino, como por exemplo a voz de uma criança ou quando arrastamos uma colher no fundo de uma panela . Já o grave chamamos de "grosso", como normalmente é a voz de um homem. Isso se aplica também aos instrumentos musicais: quanto maior o instrumento, mais grave ele soa e, obviamente, quanto menor, mais agudo.

Na Bateria





Bumbo e surdo
O bumbo, a maior peça da bateria tradicional, é também a mais grave. O surdo, a segunda maior peça, é quase tão grave quanto o bumbo. Existem surdos de 14 polegadas, assim como caixas e tons de 14 polegadas. Porém, o surdo é mais grave que as outras de mesmo diâmetro porque tem maior profundidade.

Tons
Os tons são muito versáteis, possuem uma característica de afinação muito ampla, dependendo da madeira, do aro e da combinação de pele, é possível afinar um tom em diversas alturas. Embora as outras peças possam ser afinadas com uma variedade bem interessante, os tons acabam tendo uma diferença maior e mais perceptível de alturas. Existem tons que são afinados em regiões bem agudas e  outros afinados em regiões bem graves soando até muito próximo de um surdo.

Caixa
A caixa tem uma altura média, e varia em altura conforme tamanho, material e combinações de pele. É possível separar em caixas mais graves,agudas ou médias conforme o gosto e a afinação de cada instrumentista. 

Pratos
Em geral, são as peças mais agudas da bateria. Existe uma variedade de possibilidades de altura e timbre, de acordo com o tamanho, série e material utilizado na fabricação.

Baquetas, vassourinhas e locais de ataque
Dependendo o que se usa para tocar - baqueta com ponta de madeira ou náilon, com feltro ou baquetas de bambu, vassourinhas de aço ou náilon e a região da peça onde ocorre o ataque altera não apenas o timbre, como também a altura. Isso proporciona uma infinidade de possíveis combinações de sons, que deve ser adequada ao estilo musical.




Afinação e estilos
Nem sempre é necessário trocar de bateria ou de pele para mudar a afinação para tocar estilos diferentes. Muitas vezes, com uma boa bateria e peles de qualidade e em bom estado, apenas a afinação das peças já produz variação suficiente para executar estilos diferentes. 
Para música brasileira e jazz, eu afino os tons em regiões altas e o surdo deixo mais agudos. Também pode-se também usar o tom de 12 polegadas no lugar do surdo e apenas um tom de 10 polegadas para este tipo de música. E, para rock ou metal, afino os tons e o surdo mais graves. Mas isto, além de estilo, é questão de gosto. Para terminar, recomento uma bibliografia para aprofundar o assunto: Bíblia para Afinar Bateria, de Scott Johnson. 

Referências
BENNET, Roy. Elementos Básicos da Música. Cadernos de Música da Universidade de Cambridge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar:1990.
JOHNSON, Scott. Drum Tuning Bible.
MED, Bohumil. Teoria da Música. 4 ed. Brasília: Musimed, 1996.
SADIE, Stanley (ed.). Dicionário Grove de Música - Edição Concisa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Teoria, pra que te quero?



Nós, músicos populares, muitas vezes resistimos ao aprendizado teórico, já que qualquer um sabe que a música se faz pela prática. Também é muito óbvio que o excesso de teoria sem saber como aplicar na prática, é inútil. Entretanto, um pouco de teoria "não faz mal a ninguém".  E a questão maior é: Por que ignorar a teoria se a mesma tem sua utilidade?

Neste texto, não entrarei em méritos e deméritos em relação a músicos que são gênios mas nada sabem de teoria, não é esse o ponto. Meu foco é apresentar os pontos positivos a partir da minha experiência como músico, professor e é claro, aluno.

Quando entrei na escola pública de música da minha cidade (Escola de Música Villa-Lobos, pertencente à Casa da Cultura) para estudar bateria, desde o início tive uma aula separada apenas de teoria musical de uma hora e meia por semana. Isso me facilitou e muito para aprender bateria, um dos motivos é porque sou deficiente visual e acabo não lendo partitura, então a comunicação é totalmente oral e é assim que consigo trabalhar com outros músicos.

A seguir, listo alguns pontos que considero úteis proporcionados pela teoria musical



1 - Comunicação e compreensão

É muito melhor entender um pouco de teoria para resolver problemas musicais quando se está numa aula ou em uma banda. Por exemplo, imagine que alguém fale para você:" nessa virada você está esquecendo de duas semicolcheias no terceiro tempo". Se você entende de teoria vai resolver o problema imediatamente.

2 - Leitura e trabalhos freelancers

Oportunidades não aparecem todos os dias e, assim como uma banda não pode perder a oportunidade de tocar em um lugar com grande visibilidade porque algum músico não vai poder estar presente, um músico não pode perder a oportunidade de tocar com uma banda pela falta de leitura.

É comum produtores ou bandas  se dirigirem a músicos freelancers para tocarem sem ensaio pela falta de tempo, e a leitura pode ser um meio de ajudar a otimizar o tempo de tirar as músicas e dar uma maior segurança durante a apresentação - se você sabe ler vai ampliar seus campos de trabalho.

3 - Estudo

Todo mundo que preza por sua carreira musical se dedica o máximo que pode aos estudos. Professores são indispensáveis, mas sabemos que com o pouco tempo que temos hoje em dia e com a experiência, acabamos estudando muitas vezes sozinhos. No entanto, sem leitura  e compreensão teórica se torna muito inviável um bom estudo.

4 - Ser um professor

Lecionar é um outro meio de se trabalhar com a música e muita gente sobrevive apenas dando aulas e não tocando na noite. Mas para isso, é necessário ter uma compreensão ampla, conhecer da técnica, prática, teoria e da leitura. Nem uma escola vai contratar um professor que não saiba nada de teoria e leitura. Portanto, se você quer melhorar sua carreira musical e até hoje ignorou a teoria e a leitura, está na hora de repensar seus conceitos.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Música não é Esporte


Gosto de pensar em música como música e como arte. Explico: Tem muita gente que gosta de pensar em música como técnica ou quantidade de notas, e isso se aproxima muito mais do esporte do que da arte. Várias vezes pessoas se dirigiram a mim mostrando vídeos de guitarristas super velozes e nada musicais, o que é um tédio e vira competição. E competição é esporte. É óbvio que a técnica é muito importante para se manter longe do limite e ter um som mais limpo, mas técnica pura está longe de ser música.

Nesta música que gravei em estúdio em Abril de 2015, pensei na simplicidade e em fazer "o que a música pede". É assim que gosto de direcionar meus trabalhos, sejam eles em estúdio ou ao vivo, embora exista uma diferença de comportamento em relação a palco e estúdio. Mas jamais penso que eu estou sendo o centro das atenções e trazendo toda a visibilidade para a bateria. Cada estilo musical exige um comportamento diferente mas não uma disputa de ego. É muito óbvio que alguns gêneros musicais ou algumas músicas trarão mais dificuldades de execução e uma necessidade de uma técnica mais refinada, porém, cada caso é um caso.

Observação:

Quero deixar claro que aqui não estou analisando a qualidade da música, sua estética, assinatura, seu arranjo ou qualquer outra coisa. Estou apenas falando como penso meu trabalho como baterista e pincelando pontos que considero importantes sem entrar em critérios técnicos ou específicos. Minha ideia é transmitir um raciocínio musical que considero de extrema importância e tenho ouvido, não só de amigos e professores mais próximos, como de músicos renomados.

Em seguida, a música supracitada.